EXILADOS CORAIS! O Santa Cruz FC, nosso Santinha, em sua essência: o TORCEDOR

Por Edmundo Monte

O rascunho deste texto começou a ser escrito em Serra Talhada/PE, numa situação adversa, e logo após a derrota (de novo?!) para o Náutico. Partida essa que, emocionalmente, agilizou a queda do Santa Cruz Futebol Clube – o Terror do Nordeste –, para a série C do Campeonato Brasileiro de 2018.

Sou torcedor apaixonado pelo time Mais Querido das Multidões desde fins da década de 1970. Também sou filho de um jornalista (atualmente aposentado) que iniciou suas atividades como repórter de campo, cobrindo jogos em Caruaru e, declaradamente, torcedor do Sport Recife.

O pesquisador Pollak, em dois artigos sobre “memórias”, abordou questões sobre silêncios e esquecimentos. Também falou sobre a “memória vivida por tabela”, ou seja, aquelas histórias que de tanto o sujeito ouvir falar, tem a impressão que vivenciou tais situações.

Faz uns dias que eu li um artigo jornalístico (não lembro em qual veículo… provavelmente na Folha de SP) sobre pessoas cujos relatos de memórias remontam ao período do aleitamento materno. É sério! As próprias mães confirmaram – abismadas – essas lembranças.

Minhas memórias não são tão “primárias” assim, mas…

Relembro com detalhes situações e vivências a partir dos três, quatro (em diante) anos de idade. Na década de 1970 eu não consigo rememorar datas/anos, em contrapartida, posso descrever, por exemplo, o período e a forma como me tornei torcedor do Santa Cruz.

Entre 1979-1981, lá na Rua Henrique Dias (na época, repleta de torcedores do Timbu), em Olinda/PE, o meu pai, Raimundo Filho, mais conhecido como Pancho, falou:

– Edmundo, aqui nós temos três grandes times de futebol para torcer.

No mesmo instante eu indaguei:

– Pai, qual o time do senhor?

– Eu torço pelo Sport.

Acredito que as inquietudes de historiador, naquele momento, já se faziam presentes. Questionei meu pai sobre as histórias dos três times. Ele falou com propriedade e não escondeu o fato de nenhum deles possuir títulos nacionalmente.

Parei, pensei e disse:

– Santa Cruz! Esse vai ser o meu time. Que nome arretado. Sou torcedor do Santa Cruz!

Dias depois, o velho Pancho me presenteou com uma camisa do Santinha. Aquela clássica de listras verticais.

Perdoem-me essa extensa introdução, e que não condiz com o título do texto.

Exilados Corais.

Não tenho ideia de quantos são. Ressalto ainda que o termo “exilados” é metafórico. Ao pé da letra, poderíamos falar em migrantes corais.

Mas como a paixão, o amor e o “inexplicável” é intrínseco ao Torcedor Coral, a palavra “exilado” pode significar a saudade, as angústias, os desabafos e os (silenciados) xingamentos daqueles que moram distantes do Arrudão.

Alexandre Oliveira, Embaixador Coral lá de Vitória da Conquista/BA, teve a excelente ideia de criar/reunir um grupo de torcedores corais “exilados” para falar sobre o Santinha. No meu caso, o convite veio através do Blog do Santinha.

Essa turma, uns vinte e poucos amigos, debatem diariamente – dentro das possibilidades e dos afazeres pessoais/profissionais – via “ZAP ZAP”, os temas e dilemas atuais do Santa Cruz.

As conversas fluem com seriedade, e uma dose dupla de gréia para ninguém enfartar.

Conforme citei no início, o texto está sendo publicado com atraso. Entretanto, o resultado que motivou sua escrita foi o provável: caímos para a terceira divisão.

Isto é inadmissível para nós, torcedores. Para o Santa Cruz!

Senhores gestores, não há desculpas. Faltou experiência e, para variar, transparência.

O Santa Cruz não tem dono. O Santa Cruz é a sua torcida.

Não interessa se fulano ou beltrano foi criado dentro do clube e blá-blá-blá.

Nenhum tricolor é mais torcedor do que nossos colegas e amigos das Gerais, Arquibancadas, Sociais, Cadeiras, Camarotes…

Larguem o osso, oligarcas!

Vocês, num intervalo de dez anos, conseguiram apequenar – novamente – o nosso Terror do Nordeste.

São muitas vaidades, falta humildade.

Reconheçam a competência de outros profissionais. Da mesma forma, ajude-os com suas experiências.

A torcida, a massa, mostrou que está atenta. Não cobrem o torcedor. Isso é hipocrisia. Sacanagem!

Aliás, qual o destino do dinheiro do torcedor? O sócio ou o da geral?

Diz aí, fera?!

E outra, não me venha com politicagem agora em dezembro, inaugurando, por exemplo, um campo do CT. Por sinal, o grupo Exilados Corais também colaborou. Doamos uma carrada de areia, via fornecedor indicado pela Comissão Patrimonial (é muita divisão dentro do clube…).

Pensamos nos jovens talentos, bem como na questão social que tal empreendimento deve proporcionar. Dar oportunidades para aqueles/as que são tratados/as como “desandados” no senso comum da sociedade.

O Santa Cruz é inclusão. Sempre foi assim. Vejamos, recentemente, o “caso” Raniel.

Finalizando – e para não perder a razão –, falar de cotas bloqueadas etc. é bacana nas derrotas. Nas vacas gordas (ilusão, delírios), eram sorrisos, promessas e soberba (que “coisa”).

Nós queremos soluções. Evidenciar os problemas, sem transparência, quase todos que passaram pelo Executivo assim o fizeram.

Série C.

Série C.

Série C.

Duas quedas consecutivas…

Vocês acham isso normal, né?!

Normal um C…

Chapas de oposição, não brinquem com a situação do tricolor. 

Seriedade e só disputem as eleições no Santa, caso apresentem (boas) propostas possíveis de serem implantadas e continuadas.

Na torcida por novas caras administrando o Santinha. Oposição, vamos arrumar esta C…asa.

Um grande abraço aos “exilados/as” desse Mundão Coral.


Agradeço e dedico o texto aos amigos do grupo EXILADOS CORAIS. Jadruga, obrigado por compartilhar a imagem do “circo”.

 

Este artigo contêm 7 Comentários

  1. Parabéns amigo Edmundo. Excelente texto. Digno da grandeza e paixao do autor.

  2. Parabéns Ed… concordo que enquanto faltar transparência e profissionalismo não vamos voltar a ver os anos de glória do Mais Querido!!!

  3. Parabéns meu professor mais que querido, seus textos são inspiradores para mim, sou sua fã.

Agradecemos sua visita. Fique à vontade para comentar: