Paisagens do Semiárido: Afogados da Ingazeira/PE

Por Edmundo Monte

O município de Afogados da Ingazeira/PE, situado na Microrregião do Sertão do Pajeú, carrega consigo diversas memórias e histórias envolvendo as águas do rio Pajeú e os espaços de sociabilidades ao longo do seu percurso intermitente, que – conforme perpetuado na música de Luiz Gonzaga e Zé Dantas – “vai despejar no São Francisco”.

Aliás, tal menção já se fazia presente na Corografia Brazilica de Manuel Ayres de Casal: “O rio Pajeú, que sai da serra dos Cariris, e desagua no de S. Francisco [só é perene] enquanto duram as trovoadas”.

O pesquisador Manoel da Costa Honorato, em 1863, complementou a descrição: “Nasce no declive meridional da serra da Borborema, no lugar denominado Serra do Teixeira, onde separa a província de Pernambuco da Paraíba. Corre de leste a oeste até a freguesia de Serra Talhada […] e despeja no São Francisco, no lugar chamado Tucurubá, 21 léguas acima da cachoeira de Paulo Afonso.”

Motivado por um bate-papo com a afogadense dona Rosa César, que gentilmente compartilhou algumas fotos de acervos familiares retratando Afogados da Ingazeira/PE entre as décadas de 1960 e 1970, decidi percorrer lugares peculiares da cidade em dezembro/2016 e fotografá-los com uma câmera comum de celular. Meu foco foram as águas (e sua escassez) nas paisagens semiáridas.

Prainha do Pajeú. Acima, uma foto da década de 1960. Nas outras duas, o mesmo lugar seco e bastante poluído, no centro da cidade.

Praia do Pajeú em momentos distintos. (Fotos: Acervos familiares)

BARRAGEM DE BROTAS

Pedra fundamental da Barragem de Brotas na década de 1970, e em dezembro de 2016. (Foto: Acervo familiar)

Crianças se refrescam no açude de Brotas, enquanto jovens e adultos pescam de tarrafa. Segundo dona Rosa, a foto representa o atual local onde a “barragem sangra”. (Foto: Acervo familiar)

 

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

HONORATO, M. da C. Diccionario Topographico, Estatistico e Historico da Provincia de Pernambuco. Recife: Typographia Universal, 1863, p. 93-94.

CASAL, Manuel Ayres de. Corografia Brazilica… Rio de Janeiro: Impressão Régia, 1817, p. 157; 168.

OUTRAS FONTES PARA PESQUISA: 

Dissertação – Aluisio Ribeiro. Estado de conservação das nascentes do alto trecho do rio Pajeú (UFPE – 2014)

Tese – Emilio Pontes. A convivência com o semiárido no contexto sulamericano: segurança hídrica em Afogados da Ingazeira/Pernambuco-Brasil e Graneros/Tucumán-Argentina (UFPE – 2014)

Tese – Eberson Ribeiro. Mudanças ambientais e desertificação na bacia hidrográfica do rio Pajeú (UFPE – 2016)

 

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